quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Por que os livros nacionais são caros?



Vocês sabem de quem é a culpa dos preços dos livros nacionais serem tão altos? Nossa. Isso mesmo, nosso país não é um país de leitores. Infelizmente para nossos autores isso faz com que o custo de seus livros sejam bem maiores, do que de autores americanos, por exemplo, onde a população lê muito mais que aqui no Brasil. Temos que ensinarmos nossas crianças a lerem cada vez mais, se quisermos mudar essa realidade. 

Leiam essas duas reportagens que eu encontrei uma sobre o percentual de leitores do país e outra sobre o custo da produção de livros aqui no Brasil.

"Há um pouco mais de leitores no Brasil. Se em 2011 eles representavam 50% da população, em 2015 eles são 56%. Mas ainda é pouco. O índice de leitura, apesar de ligeira melhora, indica que o brasileiro lê apenas 4,96 livros por ano – desses, 0,94 são indicados pela escola e 2,88 lidos por vontade própria. Do total de livros lidos, 2,43 foram terminados e 2,53 lidos em partes. A média anterior era de 4 livros lidos por ano. Os dados foram revelados na tarde desta quarta-feira, 18 (20015), e integram a quarta edição da Pesquisa Retratos da Leitura no Brasil.
Para a pesquisa, é leitor quem leu, inteiro ou em partes, pelo menos 1 livro nos últimos 3 meses. Já o não leitor é aquele que declarou não ter lido nenhum livro nos últimos 3 meses, mesmo que tenha lido nos últimos 12 meses.
A Bíblia é o livro mais lido, em qualquer nível de escolaridade. O livro religioso, aliás, aparece em todas as listas: últimos livros lidos, livros mais marcantes. 74% da população não comprou nenhum livro nos últimos três meses. Entre os que compraram livros em geral por vontade própria, 16% preferiram o impresso e 1% o e-book. Um dado alarmante: 30% dos entrevistados nunca comprou um livro."
Fonte: Estadão

Reportagem de Marco Chiaretti (Revista Super Interessante)

"Não é novidade para ninguém. Nos Estados Unidos e na Europa, um livro sai bem mais barato que no Brasil. Vamos só lembrar um dos muitos exemplos. Na França, um dos volumes com as aventuras de Asterix (vendidos em livrarias, não em bancas) sai pelo equivalente a R$ 8,95. Aqui, custa R$ 17,00. A capa, o tamanho, o número de páginas, os quadrinhos, tudo é idêntico. Só o que muda é o idioma que vem dentro dos balões. Claro: os custos da tradução não explicam o aumento.
O problema é a tiragem. Enquanto outros países trabalham com tiragens médias de mais de 10 000 exemplares por edição, no Brasil esse número fica na casa dos 2 000. O mercado é pequeno, vende-se pouco, e elevar essa média é produzir encalhes. Daí que, com edições reduzidas, o custo por unidade sobe. O raciocínio é bem simples. Fora o papel, que varia segundo a quantidade de exemplares, toda edição tem um custo fixo, do qual não dá para fugir. Composição das páginas, máquinas, revisões, ilustrações, tudo isso independe da tiragem. E quando se divide o custo fixo pelo número de exemplares, tem-se o custo unitário. 
Como o mercado brasileiro se organizou com base nas pequenas tiragens, o preço final de um volume é sempre alto. Mesmo os best-sellers, que vendem dezenas de milhares de cópias, custam caro, já que os editores fixam o preço com base em padrões (um certo “x” por página) estabelecidos a partir das baixas tiragens. A vantagem, dos editores, é que best-sellers dão mais lucro. E quase sempre compensam o prejuízo dos títulos que acabam encalhando nas prateleiras. 
O leitor brasileiro é prejudicado pelas tiragens pequenas. Como o mercado de livros no Brasil é bem reduzido, as edições são minguadas. Na média, não passam dos 2 000 exemplares. A equação é cruel: tiragens mínimas projetam o custo unitário lá para as alturas. O leitor, quando pode, é quem acaba pagando a conta. 
Veja, em porcentagens, para quem vai cada parcela do preço de capa que você paga na livraria: 
Papel Menos de 5% Às vezes é transformado no vilão da história. O custo subiu — depois do Real, o preço da tonelada de papel branco passou de cerca de 600 para 1 100 reais —, mas não significa nem 5% do preço de um livro. 
Editor Cerca de 25% O editor fica com algo em torno de 25% do preço de capa. Esse valor paga os custos de funcionamento da editora, a tradução, revisão, paginação e o lucro.
Autor De 7% a 12% Recebe em média 10% do preço de capa de um livro, mas essa porcentagem varia. O valor inclui todos os custos de seu trabalho. Na maioria dos casos, o autor não recebe adiantamentos. 
Gráfica Cerca de 8% O custo de impressão de um livro comum, sem ilustrações impressas em papel especial, é da ordem de 8% do preço de capa, sem incluir o preço do papel. Distribuidor Cerca de 15% A maior parte do preço de capa do livro fica na distribuição e venda. O distribuidor atacadista fica com 15%. 
Livraria 40% A livraria fica com 40% do preço de capa do livro, em média."

Por isso o livro que compramos na internet sai bem mais barato, diminui o custo da livraria.

Leia também o post feito pela autora Li Mendi em seu blog falando dos custos de uma produção independente x publicação pela editora, lá ela dá dicas para quem está começando e fala de valores atuais dos custos. Aqui


Infelizmente não temos tanta grana assim para sairmos comprando todos os livros de autores nacionais, mas em contrapartida, temos que valorizar o que é nosso, então sempre que puderem vamos ajudar, divulguem, resenhem, comprem os livros de nossos autores, para que no futuro possamos comprar esses mesmos livros com um preço mais acessível, para que possam concorrer com o de outros países em pé de igualdade. 

Eu não sou escritora, fiz esse post porque tenho parceiros e amigos escritores e vejo a sua luta diária para venderem suas obras, tentar ter um lugar ao sol e minha admiração por eles só aumentou depois de ter esse contato que o Instagram, o Blog e o Facebook me proporcionou.