quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Resenha: O ar que ele respira - Brittainy C Cherry (Por Dri Rodrigues)

Temos uma novidade no blog, uma parceria com a Dri Rodrigues da Editora Contaponto, ela será uma colaboradora do Blog, e suas resenhas sempre estarão por aqui. Vocês vão amar as resenhas dela.


O Ar Que Ele Respira - Brittainy C Cherry

Quando li os primeiros burburinhos sobre “O ar que ele respira” no Facebook, imaginei que tudo seria resumido à adoração pelo lenhador da capa. Imaginei uma história de amor de um cara estilo durão com uma moça simplória. Imaginei um básico romance improvável.

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Começaram a dizer que Tristan (o protagonista) era isso e aquilo, que queriam um Tristan, que a história era linda, que haviam chorado e tal. Então eu pensei: agora mesmo que não quero ler. Minha vibe é de finais felizes e desanuviar a mente. ´Tô fora de chororô, pensei.

Eis que me peguei em uma quarta-feira, às 23 horas, começando uma leitura que me levaria a muitas lágrimas e uma certeza: Brittainy C Cherry tem talento.

Tristan é um marceneiro que perdeu a mulher e o filho de 8 anos no Prólogo do livro.

Elizabeth é uma moça que perdeu o marido no Capítulo 1 e ficou com a filha de 5 anos, a mãe cheia de amor pra dar e nenhum trabalho.

Certo dia, voltando pra casa depois de uma longa temporada na casa da genitora, Elizabeth atropela o cachorro de Tristan. Escuta uns palavrões, uns desaforos e recebe um olhar muito zangado do camarada. Deve ter morrido de medo, porque convenhamos… Bom, porque deve e pronto. Sem julgamentos.

Imagine a cena: descalço, cachorro no colo, barba gigantesca e descuidada, te olhando com cara de mau e dizendo grosserias. Imaginou?

Dias depois, descobrem que são vizinhos.

Certo, não fui muito fã do primeiro beijo. Achei abrupto, sem sentido. Uma coisa meio “do nada”, mas acho que foi o objetivo da autora.

Eles resistem um ao outro, mas assumem-se como consolo recíproco pelas perdas. Começam a se relacionar (sexualmente, deu pra entender?), mas vendo os falecidos cônjuges. Doentio, de certo.

As cenas de sexo são sutis e não fazem do livro um hot propriamente. É impróprio para menores, digamos assim, ainda que atualmente isso pareça uma grande hipocrisia.

Então, quando se dão conta da situação patológica pândega, param de pular janelas de madrugada. É a pausa dramática para descobrirem que gostam um do outro e que, finalmente, podem enterrar os falecidos esposos. “Enterrar” no sentido figurado, porque um ano depois espero que não haja esqueletos reais no armário.

O livro é todo permeado de lembranças doloridas e toques delicados – como as plumas, que enternecem qualquer coração durão. Chorei rios, senti meu nariz entupir várias vezes, minha sinusite acordar e a dor de cabeça voltar. Tudo isso na madrugada de uma quarta pra uma quinta. E nem assim odiei o livro.

Descobrem enfim que estão apaixonados um pelo outro, coisa que o leitor percebe logo no Capítulo 2.


Ele como tinha abstraído da fofocada da cidade, ignora as energias negativas e opiniões contrárias.

Ela começa a escutar que ele é louco, assassino, psicopata etc e tal. Mas, abstrai.

Um amigo da moça (Tanner), então, decide provocar o lenhador fortão até ele perder o controle e “liberar o animal”. Consegue. Ganha uns bons socos que me fizeram sorrir. E não, não sou a favor da violência.

O tal Tanner resolve desenterrar o acidente que matou ambos os cônjuges. Sim, um bateu no outro. O carro do marido de Lizzie perdeu o controle e bateu no carro da esposa de Tris. Era óbvio no início da obra, mas é um fato que começa a ser ignorado ao longo do texto. Ponto favorável para a autora, que levantou sutilmente a bola no início, a deixou na marca do gol durante a história e chutou direto no fim.

Quando Tris descobre, pelo amigo cretino e não por Lizzie (fato que é um clichezinho básico), foge enraivecido. “Você mentiu pra mim”, “ele matou e a culpa é sua…” Ops! É? Acho que não, hein…

O livro não termina aí, mas não vou contar o fim porque o livro merece ser lido. Fui surpreendida, na verdade, por um estilo lenhador amargurado absolutamente afastado dos engravatados cinza. Foram quase 3 horas embebida em um romance dramático, de final feliz.

Mereceu cada minuto não dormido, levando a certeza que os tantos clichês da obra não a desmerecem, no geral.

Preciso, todavia, informar aos deprimidos de plantão: lágrimas correrão!




PS. Tenho praticamente certeza de que o nome dele – Tristan – foi uma homenagem ao Brad Pitt em “Lendas da Paixão”. Mesmo porque a própria autora menciona isso…


PS2. Olha quem eu achei quando caçava um outro livro: