domingo, 23 de julho de 2017

Resenha: Entre Nós - Kell Teixeira


Eu começo essa resenha te fazendo uma pergunta: Você tem algum preconceito? As vezes nós dizemos que não temos, mas será que não mesmo...Esse livro me mostrou que as vezes as pessoas dizem que não, mas quando o sentem na pele, as coisas mudam de figura. E algumas vezes as pessoas que deveriam ser mais esclarecidas são as que tem as piores atitudes.

"As pessoas costumam dizer que preconceito e discriminação é a mesma coisa, mas não é. O preconceito se dá pela falta de informação, mas através dela, há como eliminá-lo. Já a discriminação é uma escolha que a pessoa faz estando consciente e obtendo informações."

Entre Nós me fez ficar do outro lado, do lado de quem sofre com o preconceito e embora o personagem não seja um coitadinho, ou fique como vítima, ele é muito bem resolvido, mesmo assim o preconceito o atinge da forma mais cruel.

"Então, Felipe, isso é preconceito ou discriminação? O pensamento vem à mente. Isso é sangrar. É sentir a dor mais extrema que uma ilusão pode causar."

Mas vamos a história, no início não simpatizei com a Ísis, ela se mostrou uma garota mimada e fútil, mas em grande parte isso se deve a criação que seus pais deram, superprotegida, sempre o centro das atenções. Ela vai morar com uma amiga, mais perto da faculdade para se libertar um pouco do controle dos país. Não quer se envolver com ninguém, pois terminou com um namorado recentemente, um relacionamento de mais de quatro anos, mas depois que ela conhece Felipe, mesmo sem querer ela acaba se envolvendo...

E o mesmo acontece com Felipe mesmo sabendo o risco que seria se apaixonar por ela, não consegue resistir...

"—Não. Na verdade, estava pensando por que você faz isso. É tão confuso, não sei aonde quer chegar.
—O que eu faço? —Ele pergunta, mas não espera a minha resposta.
—Sabe aquela sensação de que irá se arrepender ao se envolver com uma pessoa? —Sei, acho que sim —sussurro sem entender. —Tenho certeza disso quando penso em você, e mesmo assim, eu continuo pensando. Isso é ser estúpido, não acha?"

"Minha mente está nas nuvens, mas em meu coração inicia um medo crescente. Medo porque é novo, e o novo traz o incerto."


No decorrer da história ela vai amadurecendo, mudando a forma de ver as coisas, isso é uma coisa que me conquista muito em um livro, esse desenvolvimento de uma personagem, e no final ela tem uma atitude de quem tem um amor verdadeiro, o que prova o quanto ela mudou, ela prioriza o bem estar de quem ela ama, se colocando em segundo plano.

"Eu não sei o que você escutou sobre se apaixonar, mas podemos escrever a nossa história, e não baseada no que os outros falam, apenas no que nós acreditamos e sentimos. E isso só depende de nós."

"Então isso é estar apaixonado? Esse anseio por ver a pessoa, o frio na barriga, o desejo, e no fim, um aperto no peito porque quer que a pessoa continue sempre ao seu lado?"


Se apaixonar para eles não foi nada fácil, e terão muito que lutar e superar para que esse amor tenha um final feliz. Eles são opostos em tudo...Mas não dizem por aí que os opostos se atraem?

O Felipe é um fofo, tem hora que dá vontade de colocar ele no colo e dar umas palmadas na Ísis, ele tem uma paciência com as maluquices da Ísis que me fez apaixonar ainda mais por ele, um personagem maduro, que não fica se fazendo  de vítima ou coitadinho, deveria servir de exemplo para muitos por aí.

Eu gostei muito da escrita da autora, é fluida e leve, a gente lê rápido , o texto prende e desde o início. O modo que ela vai passando as informações sobre um tema tão polêmico como HIV, sorodiscordantes e tudo que envolve a doença, sempre inseridas no contexto, sem deixar o livro com cara de Manual Informativo, mas sendo bastante útil para os leigos, mostra o quanto a Kell pesquisou e se esforçou para falar com toda sensibilidade sobre o preconceito e discriminação que muitos são submetidos, mesmo quando não tem culpa, e o quanto sofrem não só eles mesmos, mas suas famílias e amigos.


Sinopse: 

E talvez o meu maior preconceito seja te amar incondicionalmente, e, na mesma proporção, lutar contra esse amor!
Após se formar no Ensino Médio, Ísis Fernandes, mesmo tendo sido aprovada em uma Universidade Federal, convenceu a si mesma e a seus pais de que precisava de um tempo para decidir qual profissão queria seguir. Porém, agora, depois de dois anos curtindo sua então chamada "férias", e tendo colocado um fim em um relacionamento de anos com o namorado de adolescência, achou nesse momento tenso a oportunidade perfeita para retomar os estudos.
Ísis esperava tudo dessa nova fase em sua vida, só não esperava que o verdadeiro amor batesse à sua porta. No entanto, estará ela disposta a viver esse amor que a fará encarar o preconceito de frente, indo além de um amor impossível? Esse sentimento será mesmo capaz de vencer todas as vozes que o consideram loucura? E bem mais que isso, seu amor é mais forte que o seu próprio preconceito?
Felipe sempre seguiu as regras e a principal era nunca deixar alguém se aproximar muito. Ele já conhecia bem a dor que isso traria e não estava disposto a senti-la. Porém, quando o amor faz as suas escolhas, há como fugir?
Uma coisa é certa, o amor tem o poder de nos iludir, mas não nos deixa imune aos males da vida...

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