Resenha: A Escrava e a Fera - Jéssica Macedo


A autora Jéssica Macedo me enviou a cópia do arquivo do livro para ler e resenhar. Agradeço muito a confiança.

Essa história se passa no Brasil de 1824 e relata a o que ocorria naquela época, onde negros eram capturados em seus países de origem e trazidos para o nosso país para trabalharem nas plantações, minas e residência dos senhores das terras, sendo escravos e tratados como o pior dos animais, mas em meio a esse clima de desrespeito ao ser humano, nasce e floresce o amor, contra todas as probabilidades, entre duas pessoas que estão de lados opostos da hierarquia gerada pela ganância do homem. Uma escrava, faz florescer no coração amargurado do seu senhor o mais puro dos sentimentos.

Fernando é um homem enclausurado em sua própria dor. Dor de ter perdido a esposa, dor de não ter conseguido salvá-la, dor de ter o rosto desfigurado por um incêndio que lhe tirou tudo que mais importava. Ele vive recluso em sua fazenda, de onde administra tudo com a ajuda de seu feitor e informações trazidas pelo seu amigo Benjamim do que acontece fora da fazenda.

Mas a chegada da nova escrava faz tudo mudar ao seu redor, Bela é rebelde, guerreira, não se dobra ao seu patrão, não tem medo e não se assusta com a deformidade de Fernando e aos poucos vai trazendo luz para a vida sombria dele. A presença dela começa a fazer que ele veja o mundo de forma diferente da que viu durante toda a sua vida, desde a época de seu pai.

"– Bela, eu não sei... Já era assim, muito antes de nós dois nascemos. Homens brancos tratavam os negros pior do que aos próprios animais.
– Não pode mudar isso?
– No país?
– Não, onde vosmicê tem controle. Faça com os outros o que fez por mim. Devolva a eles a escolha."
(Trecho do livro)

As vezes seguimos os conceitos arraigados em nosso dia a dia sem contestá-los, mas basta apenas algo que nos faça parar para pensar, para vermos as coisas de outro modo. Foi o que aconteceu com Fernando. O que começou a aflorar com as ideias de sua primeira esposa foi crescendo ao conviver com a Bela.

Adorei a autora ter localizado sua história em uma época já tão conhecida por nós dos livros de História que estudamos, e a forma como ela permeou sua história fictícia com informações reais da história do nosso país tornou o livro ainda mais interessante.

Mas agora vou falar do que mais me chamou atenção no livro, o casal, Fernando e Bela, a forma como tudo acontece entre eles, um vai conquistando o outro e sendo conquistado ao mesmo tempo, mesmo vivendo realidades diferentes eles vão se entendendo, se completando. Adorei a sensibilidade da autora em fazer isso de forma suave, pois a relação entre eles era para ser complicada, para conseguirem vencer esse distanciamento inicial, por se encontrarem em lados opostos, podeira ter sido diferente o caminho até entregarem a esse amor, mas foi algo bem fluido e leve, gostoso de se ler.

P. S.1 Não há uma romantização da escravidão, e sim um relato da situação que era ser escravo, coisa que realmente aconteceu no período que se passou a história, embora seja uma ficção. Condições descritas nos livros de História.

P.S.2 Não há estupro, mas uma tentativa feita por outro personagem, não por Fernando que, na verdade, a salvou na ocasião, coisa que infelizmente, no decorrer da nossa História, aconteceu muito com as mulheres que não eram livres,sendo barbaramente atacadas. Na verdade, respeitando-se os hábitos e costumes da época, nem mesmo as mulheres livres em geral tinham muitas perspectivas de escolha no sentido de estabelecerem relações consensuais, haja vista os casamentos serem quase sempre arranjados. Não estou nem de longe comparando isso à crueldade de um estupro, apenas destacando que, em termos de escolha de parceiros, as mulheres em geral não podiam ter voz ativa.

A Escrava e a Fera

Sinopse:
Amali nunca aceitou os rumos de sua vida. Arrancada do seio de sua família, foi vendida como escrava em um país desconhecido. Com um espírito livre e questionador, resiste às imposições e injustiças, sofrendo as amarguras de uma luta silenciada pela opressão e violência. Colocando em cheque a vida de um recluso barão do interior de Minas Gerais, que havia perdido mais do que se julgava capaz de suportar, Amali mostra toda a sua força, conquistando a própria alforria e lutando pela liberdade dos demais.

*Edição ilustrada*

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