Resenha: Luz e a Sombra - Anaté Merger


"Tudo o que nos pertence sempre acaba nos encontrando".

Para mim existem apenas dois tipos de livros, os que devem ser devorados e os que devem ser degustados, não existe distinção entre eles como melhor ou pior, os dois podem ser bons ou ruins.

A diferença entre eles é que o primeiro é aquele que você lê sem respirar, de uma sentada só. Ele te absorve totalmente, você não consegue parar de ler.

Já os que devem ser degustados são aqueles que você lê devagar, apreciando cada página, curtindo cada frase e as vezes até voltando algumas páginas para reler os detalhes. Esse é um livro que você fecha o livro e fica remoendo a história, digerindo...E esse livro com certeza se encaixa nessa descrição.

O primeiro contato que tive com tramas que envolvem viagens no tempo foi Em Algum lugar no Passado, e me apaixonei por histórias com esse tema, imagine você poder viver em outro tempo? E daí vem uma pergunta: "O amor poderia sobreviver a morte e ao tempo?" Depois vieram: A mulher do viajante do tempo, Outlander, Kate e Leopold e os livros da Lucy Vargas: As Cartas do Passado e As cartas da Condessa....E cada vez fico mais fascinada por histórias assim.

Ultimamente não estou lendo muito as sinopses, deixo os livros me surpreenderem, e vi esse livro na indicação de leitura num grupo que participo o GAB e me apaixonei por essa capa,  para minha surpresa, a história tinha o tema que eu amo: Viagem no Tempo.

Nele conhecemos Virgílio (2016) e Olympia (1873). Que pelas artimanhas do destino acabaram se conhecendo e se apaixonando.

Tudo começou quando Virgílio sofreu um acidente no mar, onde ele foi ferido, logo depois começou a ter um sentimento estranho no peito e sonhar com olhos de um azul profundo que pareciam refletir o mar.
Ninguém sabia, nem o próprio Virgílio, de onde vinha esse estranho e ininterrupto vazio que invadia o seu peito regularmente. Talvez uma consequência dos muros que havia construído em volta dele sem a menor razão aparente: nenhum drama em especial, nenhuma paixão não correspondida, nenhuma perda, nem mesmo o acidente parecia ter lhe deixado mais do que as cicatrizes que carregava no rosto e no ombro.
Olhos sem nome, um fantasma que o assombrava durante a noite, mas que para surpresa de Virgílio ele vai saber quem era aquela mulher durante uma viagem a uma fazenda de café que ele estava pretendendo comprar e restaurar. Em um quadro da fazenda, meio escondida por um leque estavam os olhos que povoavam seus sonhos: Olympia filha de um Barão do Café.
Sem perceber ele colocou uma mão no tórax e respirou profundamente para tentar recuperar o controle, mas nesse momento ele teve a certeza de que nem o corpo que ele estava tocando e muito menos a sua alma eram mais dele. Virgílio soube naquele instante que ele pertencia a Olympia e que isso seria para sempre.
Mas tudo permanece envolto a um mistério, aos poucos a autora vai dando pistas ao leitor, o passado e o presente se intercalam na narrativa, assim como os ponto de vista dos personagens. O que realmente aconteceu vai sendo desvendado a cada capítulo, em meio ao cenário da fazenda e de um navio no passado, perfeitamente descrito dando ao leitor a oportunidade de se colocar dentro da história.
— As histórias que não puderam ser vividas são as que merecem mais ser lembradas porque elas vão permanecer uma incógnita com um eterno "se"...
A nossa mocinha é uma mulher a frente de seu tempo, que defendia o direito das mulheres e a liberdade dos escravos. E por isso fez uma promessa que só se casaria depois da libertação dos escravos (o que se deu somente em 1888) E por isso mesmo fez tudo para resistir a corte de Luis Batista, mas após recusar novamente o seu pedido de casamento, ela sente que ele está de alguma forma mudado, o antes "nobre estúpido e endiabrado" que ela tentava afastar a todo custo, estava conseguindo chegar cada vez mais perto do seu coração.
Nada daquilo fazia o menor sentido, ele não tinha ideia de como o que estava acontecendo era possível, ele havia saído de 2016 para aterrissar exatamente no mesmo navio em que Olympia viajou e, mais absurdo ainda, era como se ele estivesse lá também, com o mesmo corpo, a mesma voz, como se ele fosse ao mesmo tempo Luiz Batista e Virgílio cada um em um século diferente amando a mesma mulher.
Consegui despertar o seu interesse nessa história? Pois é, agora você vai ter que ler para saber o desenrolar dessa trama, o que realmente aconteceu. Eu vou parando de falar sobre ela por aqui, senão podem rolar altos spoilers.
Se isso é um sonho, eu não quero, eu não posso acordar, eu não suportaria perder Olympia...
Mas  ainda vou falar um pouquinho de três mulheres que ajudaram a conduzir essa história, primeiro a Marie dona na fazenda, depois Helena uma historiadora que escreveu um livro sobre a família de Olympia e Severa mucama de Olympia. Cada uma delas com suas personalidades fascinantes, em seu momento foi responsável por unir esses dois. Ao mesmo tempo em que a Vilã da história tramava para separá-los, ou seja, as mulheres dominam essa história, elas conduzem a trama, mostrando cada uma suas facetas, ora suave, ora forte, ora destemida, ora frágil, ora invejosa, ora generosa, ora apaixonada... Mas todas guerreiras ao seu modo, superando os preconceitos quer no passado, quer no presente.

Com uma escrita fluida e elegante, uma trama muito bem elaborada, personagens bem construídos, mais uma história de viagem pelo tempo que me encantou e ganhou um lugar de destaque entre as leituras que deixarão uma marquinha no meu coração.
"Ele me prometeu que seria meu e que eu seria dele e de mais ninguém e que nada poderia nos separar. Nem a morte, nem o tempo".

Luz e Sombra

Sinopse :
"Virgílio é um engenheiro carioca, entediado, taciturno, que nunca amou ninguém e tem na restauração das antigas fazendas de café a sua única paixão.

Ao estar prestes a adquirir mais um imóvel para ser restaurado, ele se depara com um quadro cuja figura, até então sem nome, lhe assombrava os sonhos : Olympia, filha de um barão, em um quadro do século XIX. O olhar azulado da moça o atrai de uma maneira obsessiva e aos poucos ele se envolve numa trama cada vez mais absurda, com joias misteriosas e uma inusitada carta.

Ao tentar descobrir o que as linhas amareladas escondem, Virgílio se encontra em um emaranhado de artimanhas e chantagens, amor e ódio, onde o ontem e o amanhã se confundem durante um cruzeiro pelo Atlântico no ano de 1873 e o poder da luz sobre as sombras surge nos lugares, nas pessoas e nas atitudes mais improváveis."

Onde encontrar: Amazon

Nenhum comentário