Resenha: Audácia e Presunção - Lis Wey

...Se pudéssemos elencar para o nosso coração as qualidades que cremos ser aceitáveis em homens, como se os sentimentos fossem um livro chato a ser abandonado, não haveria tantos corações partidos.
Meu primeiro Austen, sim eu ainda não tinha lido nada dela, e meu sexto Wey. E digo que fiquei encantada com o sincronismo essa continuação, a autora conseguiu manter a mesma linha na escrita, que quase não percebemos a mudança de autora, Apenas que na escrita da Austen encontramos um maior detalhamento nas descrições tanto do ambiente como dos sentimentos que envolvem a família, predomina uma certa monotonia na escrita e uma seriedade, já na continuação encontramos um maior dinamismo e toque de humor, característica que pontua as obras da Lis Wey.
...Ema, Elizabeth e Margareth alternavam momentos de um silêncio mortificante e insinuações de escárnio — frequentemente oriundas de Maggie, que usava todas as chances para lembrar a Emma que sua tia havia gastado toda a herança antes de enviá-la de volta e lembrar à Elizabeth de sua calamitosa solteirice.
 Uma história que trabalha com uma miscelânea de emoções e sentimentos, principalmente o que envolve as irmãs Emma, Elizabeth, Margaret e Penélope, cada uma com uma característica marcante que torna o relacionamento entre elas um tanto complexo, inveja, traição, companheirismo, amor, ciúmes, proteção, falsidade, tudo ronda a convivência entre as irmãs.
Havia alguém com quem eu deveria casar, uma atitude que eu deveria assumir, um título a que eu deveria fazer jus. (...) Mas, então, há você. E eu estou disposto a abdicar de tudo só para tê-la ao meu lado, com sua língua afiada e seu jeito esperto.
Outra coisa que permeia essa história é a relação dos personagens com a sociedade da época, o lugar da mulher, as obrigações de quem possuía títulos hierárquicos com os lordes e etc... Então se prepare para ler um livro com uma riqueza de informações que o torna ainda mais interessante.
Despertar para o mundo, renunciar às certezas lógicas e ao cinismo evidente, se abrir para novas experiencias são atitudes que demandam muita coragem, muita força. Antes de efetivamente sentir, ninguém sabe o que é estar apaixonado.
E como não poderia faltar... O romance... Ah, o romance... Eu estou deveras apaixonada por um certo casal mais que improvável, mas que conquistou meu coração, de um lado a resistência a se entregar ao que achava ser errado, mas que na verdade era mais que certo, e por outro a persistência em não desistir do amor.

Nessa resenha, resolvi não falar sobre a história, pois ela nos reserva surpresas e reviravoltas que nos surpreendem a cada página, mas duas coisas eu posso falar...Que final mais lindo e fofo, me apaixonei pelos personagens que mais se destacam durante a narrativa e que fecham o livro com chave de ouro, e que eu com certeza queria mais dessa história, queria saber mais detalhadamente o que se passou com cada uma das irmãs durante o período narrado e depois do final.

Não tem como deixar de parabenizar a autora pela Audácia de continuar uma história de tão aclamada autora, e melhor ainda fazer isso com uma segurança que impressiona, manteve firme o ritmo e qualidade da leitura, tornando o livro delicioso de se apreciar.

Geralmente eu escolho quotes que vão contando a história do livro, ou parte dela, mas hoje escolhi quotes que me marcaram durante a leitura, esses foram o que mais gostei, entre os vários que marquei.


Audácia e Presunção


Jane Austen abandonou a escrita de The Watsons por volta de 1805, deixando a história de Emma, Elizabeth, Margaret e Penélope sem um final. Em 1850, a sobrinha Catherine Hubback o publicou - "The Younger Sister", ainda sem tradução no Brasil -, provavelmente seguindo as confidências de Jane Austen à sua irmã Cassandra sobre as previsões de final.

Mais de 200 anos depois, a jovem autora brasileira Lis Wey decidiu reviver as páginas de uma de suas autoras prediletas, propondo uma versão em Língua Portuguesa para a obra e escrevendo um final diferente para o romance. "Emma Watson é a mais nova dos filhos de um viúvo adoecido. Depois de anos vivendo sob a tutela de uma tia na Escócia, foi enviada de volta para casa e encontrou suas irmãs, descobrindo inimizades, desentendimentos, rancores e mal-entendidos. Influenciada pelas percepções da irmã mais velha, Elizabeth, Emma passa a observar as pessoas e formar a própria opinião sobre elas.

Elizabeth, a irmã mais velha e responsável pelos cuidados com o pai, sofreu uma desilusão causada por Penélope, outra de suas irmãs, que a afastou de Purvis, o grande amor de Eli. Depois disso, Penélope partiu atrás de um marido. Outra de suas irmãs, Margareth, disputa com todas as moças solteiras o amor do galanteador Tom Musgrave.

No primeiro baile que comparece, Emma conhece a família Edwards e os Osbornes, família mais abastada da região, além do antigo tutor de lorde Osborne, o senhor Howard, personagens cruciais no desenrolar da trama." Os conflitos das irmãs fazem desta história de Jane Austen um terreno fértil à criatividade de Lis Wey, autora de "A Herdeira do Título", "O Segredo de Lady Julie" e outros romances de época nacionais ambientados na Inglaterra de Austen.

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2 comentários

  1. Ainda não conhecia mas já quero ler, amei a forma que descreveu!

    https://www.submersaempalavras.com/

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  2. Oi Gilvana.
    Estou super a fim de ler este livro. Amo os livros de Austen e estou curiosa sobre a maneira que a Lis encontrou para continuar essa história. Ótima resenha, me deixou com muita vontade de conferir. Ah, preciso dizer que a capa está linda!
    Bjus

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