Resenha: A Estrangeira - Nahra Mestre


Estava tudo interligado, um castelo de cartas pronto para desmoronar.
Primeiro quero falar um pouco dessa série maravilhosa: Damas Perfeitas, eu tive a honra de betar desde o primeiro, acompanhar o nascimento de cada história, as mudanças, o aperfeiçoamento, muito orgulho de participar deste momento tão especial. Então para quem não leu ainda os livros anteriores vou explicar um pouco para vocês. Imagine um tabuleiro de xadrez com todas as peças pintadas de uma só cor, você não pode distinguir quem é mocinho e quem é vilão. Em cada livro a autora foca em um pedaço do tabuleiro e começa a dar cores, mostrar as facetas de cada personagem, mas essa parte que é mostrada a cada livro não está isolada suas peças se misturam formando juntas um grande jogo, seus personagens interagem diretamente com os personagens dos livros anteriores e com os dos livros que ainda estão por vir. As histórias de A Marquesa, A Cortesã, A Viúva e A Estrangeira se passam paralelamente, então vamos observando o desenrolar dessa história de vários ângulos.

E daí já vamos levando uma lição para vida... A gente de início já vai julgando certos personagens, mas quando nos colocamos sob o ponto de vista deles, vemos que eles não tinham saída, tinham que ir contra os seus princípios, mesmo que isso custasse bem caro, talvez até a custa de sua própria felicidade.

Esse é o caso de Edward. Não fui muito com a cara dele em A Marquesa, mas quando vi o lado dele nessa história, entendi tudo.

Ele foi em uma viagem para o Brasil, fazendo um favor para seu pai, ela lá encontrou Izadora, uma menina livre, criada sem as regras impostas pela sociedade para que se tornassem uma dama e por isso mesmo não perdeu o brilho, a espontaneidade e assim conquistou o coração dele.

Mas o retorno para Londres era algo fadado a acontecer, ele esperava ser algo breve, logo poderia voltar aos braços de sua amada. Mas dias se transformaram em meses, meses em anos, até que as cartas parassem de ser enviadas, mas aquele sentimento ficaria gravado no coração de ambos a espera de poder florescer novamente.

Quando chegou a sua casa, um grande plano estava sendo orquestrado por sua avó, para garantir a honra e o futuro da família, e ele era a peça chave desse plano, não tinha como recuar, seu coração teria que ser posto de lado, pelo menos por enquanto...
A mesma tarde em que soa avó partira. Coincidência ou não, era o fim e o começo.
Não teve tempo de viver seu próprio luto, sequer permitiu sofre-lo. Era isso que sua avó desejava, que ele honrasse a família e a vida de sua irmã estava em jogo.
E nesse período ainda tinha que  ser o apoio de sua mãe, depois da descoberta de que a irmã que todos achavam estar morta, estava viva e desaparecida. Ele tentava de todas as formas encontrar sua irmã.
Apesar de tudo que passou, Marie tinha o mesmo brilho de esperança. O mesmo que Edward um dia tivera, antes que lhe fosse conferido a responsabilidade de salvar os Baldwin's e os Anson's. Entendia que existia uma dívida, uma honra, mas desejou a inocência e a ignorância.
Cada vez mais longe de Izadora ele sentia que a vida tinha lhe abandonado, e ainda ter que lidar com situações que iam contra os seus princípios mas que era obrigado a seguir não só pelo futuro de sua família, mas também pela segurança deles.
Se tornara aquilo que sempre abominou; um fantoche, manipulado pelo partido e por Lorde Granville que exigia vistas grossas para suas transações obscuras, e nunca deixava rastro.
Esse período se tornou sombrio em sua vida, e a autora passa perfeitamente esse clima em sua escrita, nos sentimos oprimidas, com o coração apertado, com a sensação de peso nas costas, entramos na pele de Edward e sentimos suas amarguras, dúvidas e aflições.
Lutava sozinho pelos interesses de sua família e muitas vezes não sabia em qual a direção seguir. As noites sem dormir, o excesso de trabalho e a maldita consciência que vociferava a cada vez que refletia no que estava transformando a sua vida, era algo que não podia conviver.
Mas um belo dia sem que ele esperasse, Izadora surge em sua porta, e aí é somo se o sol invadisse as páginas do livro e clareasse e aquecesse tudo. Aqui sentimos nitidamente a mudança de clima na história, que fica mais leve e com toques de humor.
Sentados ao lado um do outro, o único contato era o toque de suas mãos, por debaixo das saias de Izadora. Vez ou outra uma troca de olhares, um sorriso contido. Dois cúmplices rendidos ao encontro tão esperado.
Mas a partir daqui vocês terão que ler para saber, pois isso é só a pontinha do iceberg, pois a história está só começando.
Edward compreendeu o pedido do pai, mas havia muito mais por trás  daquele cargo, não era só o sonho de seu pai ou o legado de seu avô. Era a única maneira de conseguir provas contra William.
Edward nunca imaginou o curso que sua vida seguiria a partir do momento que decidiu aceitar o cargo e ir atrás de descobrir tudo o que aconteceu com sua família, o quão perigoso poderia ser, quantos sacrifícios teria que fazer.

Aí você me pergunta: Eu posso ler esse livro separadamente? Poder até pode, mas o interessante é acompanhar não só a história de Edward e Isadora, mas a história que serve de pano de fundo, a história da série, as pontas irem se juntando, as tramas se unindo, alguns desfechos, alguns começos, algumas reviravoltas. Então a minha sugestão é que acompanhe a série desde o inicio.

Para não prolongar mais, estou simplesmente encantada com essa série. Cada personagem, cada trama, tem o poder de cativar e envolver o leitor de uma forma única. Outro dia estava comentando com as meninas, que o meu livro preferido dessa série é o próximo, pois cada um é melhor que o outro, mais perfeito, quando você pensa que já tem o seu preferido a autora te surpreende com outro melhor ainda.

A Estrangeira

Em uma viagem ao Brasil, o barão de Fermoy, Lorde Edward Baldwin, conheceu a irreverente Izadora Senior. Um encantamento imediato, um romance inesperado, uma conexão que parecia já existir de outras vidas.
Quando é obrigado a voltar a Londres, a possibilidade de um reencontro se torna cada vez mais distante. Após anos ansiando por sentir Izadora novamente nos braços, Edward se vê preso a uma rede de intrigas em que precisa escolher entre defender a honra da família ou sucumbir aos seus desejos românticos.
Quando Izadora desembarca em Londres, ocorre o começo e o fim. Edward tornou-se o primeiro-ministro e a brasileira não é uma dama aceitável para um cavalheiro nessa posição.
Impossibilitado de abandonar sua carreira, o barão se vê mais uma vez dividido entre o amor e o dever, mas é incapaz de se afastar da estrangeira irreverente que não segue padrões.
O quarto livro da série Damas perfeitas nos faz enxergar além e que, na verdade, nada é como parece ser.

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Outros livros da Série Damas Perfeitas.

A série Damas Perfeitas retrata as mulheres que se escondiam atrás das convenções sociais impostas no século XIX, na Era Vitoriana. Nessa época, quando o conceito de "amor romântico" passa por profunda transformação, existiram algumas que desafiaram as regras e fizeram a diferença na história do Reino Unido. Apesar da aparência frágil e submissa, elas tiveram um papel fundamental nas relações sociais e políticas de seus maridos. Por trás dos homens e com muita sensibilidade, fizeram história no período Pós- Revolução Industrial.

A Marquesa

Nos palcos da aristocracia inglesa do século XIX, Sarah Granville Anson descobre, ainda muito jovem, que foi prometida para o primo Thomas Hervey, futuro marquês de Bristol.

Enquanto ela se prepara para ser a esposa perfeita, Thomas torna-se cada vez mais contrário a qualquer tipo de sentimento. 

Uma dama apaixonada, que faz de tudo para conquistar o amor do futuro marido, ainda que com artifícios inapropriados para a sociedade conservadora em que vive. 

Um cavalheiro marcado pelo passado, avesso ao amor, mas que se vê envolvido pelos encantos de Sarah a cada dia. Quando Thomas se der conta de que ela é o amor de sua vida, pode ser tarde demais. 

Um romance de época, que retrata uma mulher à frente de seu tempo e que levará o leitor (a) a uma deliciosa viagem pela Era Vitoriana.

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A Cortesã

Nascida e criada no bordel mais famoso de Paris, Marie Bourdon, nunca almejou ser uma cortesã.  Enquanto procurava uma maneira de escapar do seu destino, foi surpreendida por um nobre inglês, que lhe prometera matrimônio, alimentando sua ilusão de abandonar a vida que lhe fora traçada.
David Hervey, o segundo filho do marquês de Bristol, sempre esteve atento as necessidades de todos a sua volta. Um amigo fiel, um irmão dedicado e sua disponibilidade para ajudar ao próximo muitas vezes sobrepunha seus próprios anseios.
Enganada, roubada e abandonada Marie conhece David, seu anjo salvador, dando-lhe esperanças de um recomeço, entretanto, apesar de se ver cada vez mais envolvida, o passado resolve assombrá-la, relembrando-a a todo momento de onde viera
Um romance de época, que ressalta os estereótipos e retrata uma mulher forte, disposta a encarar de frente as adversidades da vida.
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A Viúva

Após atirar à queima-roupa no próprio marido, Viollet se vê livre de um casamento abusivo, em que sofreu todos os tipos de agressões físicas e psicológicas. Apesar de sentir-se aliviada, ela não consegue se libertar da culpa.
O que Viollet não esperava era que John, seu amor de infância, usasse todas as armas para tê-la novamente em sua vida. Em uma busca desesperada para reencontrar a mulher que fora um dia, e disposta a se manter de luto pelo tempo estipulado pela sociedade vitoriana, ela precisa lutar contra si mesma para não sucumbir às investidas de John. Entretanto tem certeza de que, mesmo que seu coração implore para se entregar, seu corpo não suportará ser tocado novamente.
Romance de época que retrata o conflito de uma dama enlutada, a luta entre a leveza e a pesar, entre a liberdade e a culpa. A escolha de ser feliz ou viver na amargura.

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